Fulvio Collovati considera prematuro avaliar Ruben Amorim no AC Milan, mas reconhece que a derrota frente ao Benfica provocou uma mudança no ambiente em torno do treinador português. Antigo internacional italiano também analisou o rendimento de Gonçalo Ramos.
A derrota do AC Milan frente ao Benfica continua a gerar discussão em Itália, sobretudo devido às expectativas criadas em torno da chegada de Ruben Amorim ao comando técnico dos rossoneri.
O treinador português chegou ao clube num contexto de grande expectativa, depois de uma mudança na equipa técnica que alimentou a esperança de uma nova fase no histórico emblema italiano. No entanto, o desaire frente ao Benfica, na primeira jornada da fase de liga da Liga Europa, acabou por provocar críticas e reduzir parte do entusiasmo inicial.
Para Fulvio Collovati, antigo internacional italiano e jogador do Milan, ainda é demasiado cedo para tirar conclusões definitivas sobre o trabalho de Amorim.
Em entrevista ao portal MilanNews, o antigo defesa reconheceu que existia uma grande expectativa em torno do treinador português, mas defendeu que o processo precisa de tempo e que também depende da capacidade dos jogadores para assimilarem as ideias do novo técnico.
Chegada de Amorim criou grande expectativa
A mudança no comando técnico do Milan criou um ambiente de expectativa entre os adeptos.
Segundo Collovati, parte desse entusiasmo surgiu também devido à relação pouco positiva que existia em torno do anterior treinador, Massimiliano Allegri.
A chegada de Amorim foi, por isso, encarada como uma oportunidade para introduzir novas ideias e alterar a dinâmica da equipa.
“Houve uma euforia geral porque todos queriam uma mudança”, explicou o antigo internacional italiano.
O entusiasmo, contudo, sofreu um forte impacto depois da derrota frente ao Benfica.
Para Collovati, o resultado acabou por mudar rapidamente a perceção em torno do treinador português.
Derrota com o Benfica mudou o ambiente
O encontro frente ao Benfica tornou-se um dos principais pontos de discussão em Itália.
Collovati classificou o desempenho do Milan como uma “derrota feia”, embora tenha evitado utilizar uma expressão ainda mais pesada para descrever o resultado.
Na sua perspetiva, a reação demonstra como as expectativas em torno de Amorim eram elevadas desde a sua chegada.
A equipa portuguesa conseguiu aproveitar as fragilidades apresentadas pelo Milan e o resultado acabou por gerar dúvidas sobre a capacidade dos rossoneri para implementar rapidamente o novo modelo de jogo.
Para o antigo defesa, porém, um único encontro não deve ser suficiente para avaliar todo o trabalho de um treinador.
Collovati pede tempo para Ruben Amorim
Apesar das críticas ao desempenho frente ao Benfica, Collovati mantém uma posição cautelosa em relação ao futuro de Amorim.
O antigo jogador considera que o técnico português está a tentar introduzir uma ideia de futebol diferente daquela que existia anteriormente.
A questão, segundo explicou, passa também pela adaptação entre as ideias do treinador e as características dos jogadores disponíveis.
“Se queres praticar um determinado tipo de futebol, tens de o fazer quando tens os jogadores certos para isso”, defendeu.
Esta questão poderá ser particularmente importante para Amorim, uma vez que a implementação de um modelo de jogo exige tempo, treino e adaptação por parte do plantel.
Modric e Loftus-Cheek ainda procuram a melhor condição
Collovati também analisou individualmente alguns jogadores do Milan.
O antigo internacional italiano considera que Luka Modric ainda não atingiu a sua melhor condição física, enquanto Ruben Loftus-Cheek também estará longe do nível que pode apresentar.
Por outro lado, destacou o regresso de Christian Pulisic, jogador que considera importante para aumentar a qualidade técnica do setor ofensivo.
A presença de jogadores experientes e tecnicamente diferenciados poderá ser determinante para a evolução da equipa ao longo da temporada.
Para Collovati, o Milan precisa de encontrar um equilíbrio entre as ideias do treinador e aquilo que os jogadores conseguem efetivamente executar em campo.
“Não fico eufórico com o Lecce nem deprimido com o Benfica”
O antigo jogador italiano deixou também uma mensagem de cautela relativamente às reações exageradas aos resultados.
Depois de uma exibição positiva frente ao Lecce, o ambiente em torno do Milan voltou a melhorar. Porém, a derrota diante do Benfica teve o efeito contrário.
Collovati entende que nenhuma das duas situações deve, isoladamente, determinar uma avaliação definitiva sobre Amorim.
“Não fico eufórico com a exibição frente ao Lecce, nem fico deprimido com a péssima exibição contra o Benfica”, explicou.
A ideia defendida pelo antigo internacional é que o trabalho do treinador deve ser analisado ao longo de um período mais extenso, considerando a evolução da equipa e não apenas resultados individuais.
Gonçalo Ramos também foi analisado
O desempenho de Gonçalo Ramos também mereceu comentários de Collovati.
O avançado português, que representa atualmente o Milan, tem sido acompanhado de perto devido às expectativas colocadas sobre a sua capacidade para marcar golos.
No entanto, Collovati considera que o internacional português possui características diferentes das de um ponta de lança tradicionalmente associado a números muito elevados de golos.
“Gonçalo Ramos não é um avançado para marcar 20 ou 30 golos”, afirmou o antigo jogador.
Na sua análise, o Milan poderá beneficiar mais de um avançado com características de finalizador puro, capaz de aparecer frequentemente dentro da área e transformar as oportunidades em golos.
Collovati destaca evolução recente de Gonçalo Ramos
Apesar da avaliação crítica sobre a capacidade goleadora, Collovati reconheceu sinais positivos no rendimento recente do português.
O antigo internacional destacou a participação de Gonçalo Ramos numa jogada que terminou com um golo de Adrien Rabiot frente ao Lecce.
Para Collovati, o avançado demonstra capacidade para participar no jogo coletivo e contribuir para a construção das jogadas.
Essa característica pode ser valorizada por Amorim, dependendo das funções que o treinador pretende atribuir ao jogador.
O problema identificado pelo antigo defesa está sobretudo relacionado com a necessidade de o Milan contar com um jogador capaz de garantir maior volume de finalização.
Um desafio para Amorim
A situação coloca Ruben Amorim perante um desafio que vai além dos resultados imediatos.
O treinador português terá de encontrar uma forma de implementar as suas ideias sem perder o equilíbrio competitivo da equipa, ao mesmo tempo que procura tirar o máximo rendimento dos jogadores que tem à disposição.
A adaptação também poderá determinar o papel de Gonçalo Ramos no sistema ofensivo.
Se o avançado for utilizado sobretudo como referência na área, poderá ser-lhe exigido maior número de golos. Caso tenha maior liberdade para participar na construção, as suas características poderão ser aproveitadas de outra forma.
Essa definição será uma das decisões importantes para a evolução do ataque do Milan.
Benfica deixou uma marca no arranque do projeto
A derrota frente ao Benfica acabou por ganhar uma dimensão maior devido ao momento em que aconteceu.
Tratou-se de um dos primeiros grandes testes para Amorim e surgiu depois de uma vitória que tinha voltado a criar algum entusiasmo em torno da equipa.
O resultado expôs algumas dificuldades do Milan e permitiu aos críticos questionarem a evolução do novo projeto.
Ainda assim, Collovati entende que é necessário evitar conclusões precipitadas.
O antigo jogador considera que Amorim precisa de tempo para trabalhar, conhecer melhor os jogadores e encontrar as soluções que melhor se adaptam às suas ideias.
Milan terá de encontrar equilíbrio
A principal questão para o treinador português será encontrar o equilíbrio entre aquilo que pretende implementar e as características do plantel.
Amorim terá de gerir jogadores experientes como Modric, integrar diferentes perfis no meio-campo e encontrar a melhor solução para o ataque.
Ao mesmo tempo, os resultados continuarão a ter peso na avaliação pública do seu trabalho.
A derrota frente ao Benfica mostrou precisamente a pressão existente num clube com a dimensão do Milan.
Por enquanto, segundo Collovati, ainda não há motivos para fazer uma avaliação definitiva do treinador português.
O antigo internacional italiano prefere esperar pela evolução da equipa antes de tirar conclusões sobre o trabalho de Amorim.
