Ministério dos Negócios Estrangeiros português quer esclarecer todas as circunstâncias do episódio ocorrido durante um voo entre o Dubai e Telavive, que terminou com uma aterragem de emergência na Arábia Saudita.
O Governo português pediu um apuramento rigoroso das circunstâncias que envolveram o incidente ocorrido a bordo de um voo da Flydubai entre o Dubai e Telavive.
O episódio aconteceu na quarta-feira e envolveu o copiloto da aeronave, que terá atacado o comandante durante o voo. A situação obrigou a uma intervenção de passageiros e tripulação e terminou com uma aterragem de emergência no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português considerou que a gravidade do caso justifica uma investigação detalhada, sobretudo perante a possibilidade de o incidente ter colocado em risco a vida dos passageiros e da tripulação.
Paulo Rangel destaca atuação do piloto e dos passageiros
Numa mensagem divulgada esta quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, destacou a atuação das pessoas que conseguiram intervir durante o incidente.
O governante sublinhou a coragem e o sangue-frio do comandante e dos passageiros, considerando que a sua intervenção foi determinante para evitar consequências ainda mais graves.
O Ministério português defendeu igualmente que todas as circunstâncias do episódio devem ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Avião perdeu mais de 5.000 metros de altitude
Segundo informações divulgadas pelo jornal israelita Haaretz, a aeronave terá perdido mais de 5.000 metros de altitude em menos de dois minutos durante o incidente.
A rápida perda de altitude terá aumentado significativamente a gravidade da situação, enquanto decorria a luta dentro da cabine.
Relatos indicam que alguns passageiros conseguiram dominar o copiloto. Imagens posteriormente divulgadas nas redes sociais mostram duas pessoas no chão da aeronave, aparentemente feridas.
Apesar da situação, o comandante conseguiu manter o controlo do avião e conduzi-lo até uma aterragem de emergência.
Aterragem de emergência aconteceu na Arábia Saudita
O voo acabou por ser desviado para o aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita.
Depois da aterragem, os passageiros israelitas foram encaminhados para outra aeronave da Flydubai, que prosseguiu posteriormente a viagem até Telavive.
À chegada a Israel, os passageiros foram recebidos pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A situação mobilizou ainda autoridades de diferentes países devido à natureza do incidente e às dúvidas existentes sobre as suas causas.
Autoridades investigam possível ameaça terrorista
A natureza do ataque levou também ao surgimento de suspeitas relacionadas com terrorismo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português referiu que a suspeita de terrorismo é alarmante e defendeu que essa possibilidade deve ser investigada de forma aprofundada.
No entanto, até ao momento, as circunstâncias e a motivação do comportamento do copiloto continuam a ser objeto de investigação.
A Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados Árabes Unidos classificou inicialmente o episódio como um incidente de segurança e informou que estava a investigar as causas e circunstâncias em coordenação com outras autoridades.
Flydubai fala em “perturbação na cabine”
A companhia aérea adotou uma descrição mais cautelosa do episódio, referindo-se a uma perturbação na cabine.
As autoridades dos Emirados indicaram ainda que alguns membros da tripulação ficaram feridos.
Por outro lado, o ministro da Defesa israelita descreveu o episódio como uma alegada tentativa de ataque terrorista jihadista, atribuindo aos passageiros um papel decisivo na sua contenção.
Essa caracterização continua dependente das conclusões da investigação oficial.
Estado de saúde do comandante é estável
O comandante da aeronave, identificado como Smit Machchhar, recebeu elogios pela forma como reagiu durante a emergência.
Segundo informação divulgada pela Embaixada da Índia na Arábia Saudita, o piloto encontrava-se em estado estável após o incidente.
A identidade do copiloto não foi divulgada pelas autoridades, não sendo também conhecido publicamente o seu atual estado de saúde.
Investigação envolve diferentes autoridades
A dimensão internacional do caso levou à participação de diferentes entidades na investigação.
Elementos dos serviços de informações e segurança israelitas deslocaram-se à Arábia Saudita para colaborar com as autoridades locais, segundo uma fonte regional citada sob condição de anonimato.
A investigação deverá procurar esclarecer, entre outros aspetos, o que terá provocado o ataque, como foi possível o confronto dentro da cabine e quais foram as circunstâncias que levaram à perda acentuada de altitude.
Para Portugal, o objetivo passa agora por garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas, tendo em conta o potencial risco para as cerca de 180 pessoas que seguiam a bordo.
