ANDRÉ VENTURA EM LEIRIA: “QUE SE LIXEM AS ELEIÇÕES, TEMOS DE AJUDAR”
O candidato presidencial André Ventura surpreendeu ao utilizar uma expressão icónica da política portuguesa — “que se lixem as eleições” — durante uma visita a explorações agrícolas devastadas pela depressão Kristin, em Leiria. Num cenário que descreveu como “apocalíptico”, o líder do Chega defendeu que a visibilidade nacional de um candidato deve ser canalizada para o terreno, colocando o apoio às populações acima da trica política e do calendário eleitoral da segunda volta.
Acompanhado pela comunicação social, Ventura visitou a zona da Ortigosa, onde ouviu relatos dramáticos de produtores locais que perderam toneladas de colheitas e infraestruturas, como estufas de alface e framboesa. Perante as críticas de aproveitamento político — incluindo as do presidente da Câmara de Leiria, que comparou as sucessivas visitas políticas a um “jardim zoológico” —, Ventura reiterou que a sua campanha se manterá focada na resposta ao mau tempo, garantindo que irá mobilizar militantes para a distribuição de bens essenciais, como lonas para as habitações afetadas.
OS ROSTOS DA DESTRUIÇÃO NA ORTIGOSA
Durante a ação, o candidato contactou diretamente com agricultores que enfrentam um futuro incerto após a passagem da tempestade:
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Fábio Franco: O produtor, que já tinha sido afetado pelo furacão Leslie em 2018, perdeu cerca de 150 toneladas de alface e teme não conseguir pagar aos seus 15 funcionários, exigindo apoios rápidos e sem burocracia.
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Isabel Guarda: Com 11 anos de investimento numa exploração de framboesas agora destruída, a agricultora confessou à agência Lusa a sua descrença na capacidade de reerguer o negócio face à instabilidade climática.
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Eduardo Silva: O criador de gado de 73 anos relatou o desespero de ter cinco mil porcos sem acesso a água e comida há três dias, descrevendo um sentimento de profunda desorientação perante a magnitude dos estragos.
DESAFIO ÀS INSTITUIÇÕES E AO RIVAL
A postura de André Ventura em Leiria serviu também para endurecer o tom contra os seus adversários políticos e as figuras do Estado. O candidato criticou o “desaparecimento” do Governo nos momentos críticos e instou o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a manter-se próximo das pessoas no terreno. Paralelamente, a sua estratégia contrastou com a de António José Seguro, que optou por uma abordagem com menos exposição mediática, mantendo uma “separação completa” entre a campanha e o contacto com as vítimas, o que Ventura classificou como falta de presença e liderança.