Debate do Benfica Aquece com Intensa Troca de Argumentos Sobre a Saída de João Neves
O debate entre os candidatos à presidência do Benfica foi dominado pela polémica transferência de João Neves para o PSG, há um ano. A saída do médio formado no Seixal foi usada pelos adversários de Rui Costa como principal crítica à gestão desportiva do atual presidente.
Críticas a Rui Costa: “Não Te Perdoo” e “Urgência”
Vários candidatos acusaram Rui Costa de não ter feito o suficiente para segurar a promessa da formação:
- Cristóvão Carvalho foi o mais direto, encarando a saída como uma falha moral e estratégica:
“O João não. O João queria ficar, tinha condições para ficar, para ser um farol. (…) foi daqueles jogadores que não te perdoo, Rui.”
- João Noronha Lopes acusou Rui Costa de má gestão e de ter deixado o assunto arrastar-se:
“O caso não foi resolvido na altura certa, em dezembro ou janeiro, com o empresário e a família do jogador. Deixou-se o assunto arrastar até já estar com a cabeça noutro lado. João Neves saiu por urgência.”
- João Diogo Manteigas e Luís Filipe Vieira partilharam a ideia de que o clube poderia ter agido de forma diferente, antecipando negociações e provando aos jogadores da formação que o clube lhes daria as condições necessárias.
Rui Costa: Uma Saída “Impossível de Manter” Devido a Salários
Rui Costa defendeu a sua decisão com argumentos financeiros, alegando que manter João Neves era insustentável perante os valores oferecidos no estrangeiro:
“As coisas não funcionam dessa maneira e João Neves não podia ficar mais uma época no Benfica. (…) Dizer que João Neves não queria sair do Benfica é a coisa mais simples do mundo. Não queria o João Neves nem outro jogador se o Benfica tivesse condições para lhes pagar o que os outros vão ganhar lá fora. É tão simples quanto isso.”
O atual presidente respondeu com ironia a Noronha Lopes e reforçou que o problema era financeiro e não de vontade do jogador, nem do clube:
“João Neves não queria sair do Benfica, mas não queria perder a valorização financeira em relação ao que ganha em Paris.”
O Legado da Formação em Risco
O tema encerrou com Noronha Lopes a insistir na importância de criar símbolos da formação e de rejeitar o que chama de “discurso fatalista”:
“Se os jogadores da formação virem outros ficarem apenas seis meses na equipa principal, também vão querer sair. João Neves não é uma questão do passado. A formação faz-se de símbolos e estou farto da conversa de que não podemos cortar as pernas aos jogadores. É esse discurso fatalista que faz com que não ganhemos.”
O debate confirmou que a saída de João Neves continua a ser um ponto nevrálgico, dividindo os sócios entre a aceitação das regras do mercado e a defesa da identidade formativa do clube.