Psicóloga e Comentador Condenam Agressão de Vera: “A Violência É Um Ato de Escolha, Não de Impulso”
A agressão de Vera Santos a Dylan Fonte na Casa dos Segredos 9, após comentários sobre as filhas da concorrente, foi o tema central de uma análise acesa no programa “Em Cima da Hora” da TVI. A psicóloga Inês Balinha Carlos e o comentador Miguel Fernandes condenaram unanimemente a violência física, considerando-a injustificável.
Inês Balinha Carlos: Desmontando o Mito da Provocação
Inês Balinha Carlos iniciou a intervenção, desqualificando a ideia de que a provocação pode ser uma atenuante, o que considerou ser uma das narrativas mais perigosas associadas à violência:
“Um dos maiores mitos da violência doméstica é ‘ele provocou, ela provocou’. Independentemente do que seja dito, nada justifica qualquer espécie de violência. O ser humano não tem que reagir ao que o outro faz. Tem que agir de acordo com os seus valores, as suas virtu[d]es e a sua sabedoria.”
A psicóloga classificou o ato como “um péssimo exemplo” e defendeu que a resposta à escuridão deve ser “com luz”, citando Martin Luther King para reforçar que o ódio se combate “com amor”.
Balinha Carlos alertou ainda para o duplo critério na análise de incidentes de violência, lamentando a desvalorização da violência sofrida pelos homens:
“Se fosse um rapaz a bater uma rapariga, isto seria muito mais terrível e não pode ser, porque [há] 10 mil casos este ano de violência que foi feita sobre os homens e que não podem ser desqualificados só porque os homens, na sua grande maioria de agressores, são homens, isto não está correto.”
Miguel Fernandes: “Potencialmente Um Crime” e Hipocrisia Social
Miguel Fernandes confessou-se chocado com a quantidade de pessoas e figuras públicas que defenderam a agressão de Vera. O comentador rejeitou liminarmente a defesa da agressão, traçando uma linha clara entre a ofensa verbal e a agressão física:
“Vi muita gente a defender esta agressão. Vi até um colega nosso que assumiu (…) a defesa desta agressão, dizendo que só se combate este tipo de homem com atitudes destas, com uma chapada.”
“Mesmo que aquela senhora tenha sido alvo de comentários infelizes (…) a verdade é que foram palavras. (…) aquilo pode ser identificado como um crime. É uma agressão, não há volta a dar a isto.”
O comentador concluiu com um aviso sério à sociedade, comparando a justificação da chapada com as desculpas usadas em contexto de violência doméstica, e sublinhando que o exemplo começa em casa:
“Todas as pessoas que desculpam este comportamento depois não têm legitimidade para exigir ao Estado reações ou proteção para quem agride. (…) Nós temos de dar o exemplo. Mesmo que nos sintamos ofendidos, mesmo que alguém ultrapasse as marcas, temos de liderar pelo exemplo.”