Quarta-feira, Março 4, 2026
InícioFamosoRecurso de Ventura quer anular sentença que o condenou no caso dos...

Recurso de Ventura quer anular sentença que o condenou no caso dos cartazes que visam a comunidade cigana

VENTURA RECORRE PARA ANULAR SENTENÇA SOBRE CARTAZES DA COMUNIDADE CIGANA

O braço de ferro judicial entre André Ventura e os representantes da comunidade cigana ganhou um novo capítulo com a entrada de um recurso no Tribunal da Relação de Lisboa (TRL).

O líder do Chega e candidato presidencial pretende anular a condenação imposta em dezembro, que o obrigou a retirar mais de uma centena de cartazes com a mensagem “Os ciganos têm de cumprir a lei”, sob pena de uma multa diária de 2.500 euros por cada estrutura em incumprimento.

Embora a defesa de Ventura admita agora que os cartazes já foram removidos — após o tribunal ter rejeitado o efeito suspensivo do recurso em janeiro —, o deputado insiste na sua absolvição total por considerar que a decisão colide com a liberdade de expressão política.

OS ARGUMENTOS DO RECURSO DE VENTURA

  • Nulidade da Sentença: A defesa de Ventura, a cargo de Luís Gonçalves Pereira, argumenta que a interpretação de que o cartaz insinua que os ciganos “não cumprem a lei” é uma valoração do tribunal e não um facto provado.

  • Liberdade de Expressão: O recurso defende que a mensagem é uma opinião política protegida pela Constituição e que a obrigatoriedade de se abster de mensagens “equivalentes” no futuro constitui uma forma de censura prévia.

  • Redução da Multa: Caso o tribunal não anule a sentença, a defesa pede que a multa seja reduzida de 2.500 euros para 20 euros por cartaz/dia, classificando o valor atual como “excessivo e desajustado” à situação económica do recorrente.

A CONTESTAÇÃO DA COMUNIDADE CIGANA

O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa as associações ciganas, apresentou as suas contra-alegações na passada sexta-feira, refutando os argumentos de Ventura:

  1. Cumprimento das Medidas: Sá Fernandes sublinhou que Ventura já cumpriu a retirada dos cartazes, o que demonstra que a medida era exequível e justa.

  2. Dignidade Humana: A acusação mantém que a liberdade de expressão não é absoluta e que declarações que atacam ou estigmatizam toda uma etnia merecem proteção nula perante o direito à dignidade e à não discriminação.

  3. Capacidade Financeira: Sobre o valor da multa, o advogado ironizou a alegada falta de recursos de Ventura, afirmando que a campanha presidencial tem demonstrado que ao candidato “não escasseiam recursos económicos”.

O caso aguarda agora a decisão final dos juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa. O desfecho será crucial, não só para as contas de André Ventura, mas também para definir os limites do discurso político em Portugal em vésperas de uma decisão eleitoral decisiva.

RELATED ARTICLES

Popular

CELEBRIDADES