DEPRESSÃO LEONARDO AGRAVA RISCO DE CHEIAS EM PORTUGAL CONTINENTAL
Após a passagem devastadora da ‘Kristin’, Portugal prepara-se para o impacto da depressão Leonardo, cujos efeitos começaram a sentir-se na tarde desta terça-feira e deverão prolongar-se até sábado.
O cenário é particularmente crítico nos Açores, com aviso vermelho para as Flores e o Corvo devido a ondas que podem atingir os 19 metros, mas no Continente a principal preocupação recai sobre a chuva forte e persistente. Segundo o IPMA, as regiões montanhosas do Norte e Centro podem registar acumulados entre 150 a 250 litros/m², agravando a saturação dos solos e a pressão sobre as bacias hidrográficas.
A subida dos caudais dos rios é a consequência mais imediata, alimentada tanto pela precipitação como pelas descargas obrigatórias das barragens que atingiram o limite da sua capacidade. Na bacia do Sado, a situação é de risco elevado, com o rio Campilhas a registar a cota máxima histórica de 4,2 metros na ponte de Alvalade.
Noutros pontos do país, como na Régua, o Douro já alagou a zona ribeirinha, enquanto no Minho as descargas da Barragem de Touvedo voltaram a inundar os centros históricos de Ponte da Barca e Ponte de Lima, repetindo um cenário de emergência que tem sido recorrente nos últimos dias.
No Ribatejo e no Centro, as autoridades mantêm um estado de prevenção rigoroso perante as 67 vias afetadas por submersões e abatimentos. A bacia do Tejo continua sob vigilância apertada, com especial atenção ao rio Nabão, em Tomar, e ao rio Tâmega, em Chaves, onde se teme que a subida das águas invada as zonas históricas. Com o solo incapaz de absorver mais água, o Governo mantém o apelo à precaução, lembrando que o sistema frontal se estenderá do Baixo Alentejo e Algarve para o resto do território, mantendo vários distritos sob aviso laranja devido à conjugação de vento forte, queda de neve e agitação marítima.