O trágico falecimento de um homem de 45 anos em Abrantes, ocorrido na passada quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, está a gerar uma forte contestação ao novo sistema de prioridades do INEM. O caso expõe o abismo entre os tempos de resposta teóricos e a realidade operacional no terreno, especialmente em zonas com infraestruturas rodoviárias deficitárias.
O Incidente e a Falha nos Tempos de Resposta
A ocorrência teve lugar no exterior da estação de comboios de Abrantes e foi classificada como P1 (Emergente), o nível de gravidade máxima que exige socorro em até 8 minutos.
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07h29: Alerta recebido pelo INEM e classificação como risco imediato de vida (paragem cardíaca).
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07h34: Acionamento dos Bombeiros Voluntários de Abrantes.
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07h53: Chegada da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) ao local.
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Atraso: O socorro diferenciado demorou 24 minutos a chegar, triplicando o tempo limite definido pelo protocolo para casos de paragem cardiorrespiratória.
Os Obstáculos no Terreno
O comandante dos bombeiros de Abrantes foi categórico ao afirmar à Lusa que as metas do INEM são “impossíveis” de cumprir com a atual rede viária da região. A dificuldade em ultrapassar camiões e o fluxo de trânsito podem fazer com que uma viagem que deveria ser rápida demore entre 35 a 40 minutos, tornando os objetivos de 8 minutos meramente teóricos.
Crise no Sistema de Emergência
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) confirmou que este não foi um caso isolado. Na tarde de quinta-feira, registou-se um pico de mais de 60 ocorrências em espera em simultâneo, muitas delas com os tempos de resposta largamente ultrapassados.
O Novo Modelo de Prioridades do INEM (2026)
Este incidente coloca em causa a eficácia do sistema implementado no início deste ano:
| Prioridade | Gravidade | Tempo Alvo |
| P1 | Emergente (Risco de vida) | 8 minutos |
| P2 | Muito Urgente | 18 minutos |
| P3 | Urgente | 60 minutos |
| P4 | Pouco Urgente | 120 minutos |
| P5 | Não Urgente | Transferência para SNS24 |