O barómetro da Intercampus, divulgado esta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, traça um cenário de grande favoritismo para António José Seguro na corrida ao Palácio de Belém. A pouco mais de duas semanas da segunda volta, agendada para 8 de fevereiro, o candidato socialista parece ter conseguido unir o centro-direita e a esquerda moderada contra o líder do Chega.
Os números do barómetro
A vantagem de Seguro é, nesta fase, superior a 35 pontos percentuais, o que indica uma consolidação da sua imagem como garante da estabilidade institucional.
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António José Seguro: 60,8%
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André Ventura: 24,5%
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Indecisos: 14,8%
Transferência estratégica de votos
O fator decisivo para este crescimento reside na capacidade de Seguro em absorver os votos dos candidatos eliminados na primeira volta:
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Herança de Marques Mendes e Gouveia e Melo: A grande maioria dos eleitores que apoiaram o comentador político e o antigo Almirante está agora inclinada a votar em Seguro, vendo nele um perfil mais próximo do “centro” e da experiência governativa.
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Isolamento de Ventura: André Ventura, embora mantenha o seu núcleo duro de apoiantes, não está a conseguir furar a barreira do eleitorado de outros partidos, confirmando a dificuldade de crescimento em cenários de segunda volta onde o voto útil tende a concentrar-se no candidato menos polarizador.
O peso dos indecisos
Embora os 14,8% de indecisos representem uma fatia considerável do eleitorado, a aritmética das sondagens sugere que, mesmo que Ventura conquistasse a totalidade destes votos, permaneceria ainda muito distante dos 50,1% necessários para vencer as eleições.
Este estudo de opinião coloca uma pressão acrescida sobre a reta final da campanha de André Ventura, que terá de arriscar numa estratégia de ataque mais agressiva ou tentar suavizar a sua imagem para captar os votos moderados que, por agora, parecem perdidos para Seguro.