O antigo comentador televisivo e empresário Manuel Serrão foi declarado pessoalmente insolvente pelo Tribunal Judicial da Comarca do Porto.
A decisão, oficializada a 5 de janeiro de 2026, confirma que o conhecido adepto do FC Porto não dispõe atualmente de património ou liquidez para fazer face às suas responsabilidades financeiras, num processo que corre paralelamente às graves acusações de que é alvo no âmbito da “Operação Maestro”.
Serrão é apontado como o alegado cabecilha de um esquema de fraude na obtenção de fundos comunitários, que terá lesado o Estado português e a União Europeia em cerca de 42 milhões de euros. De acordo com o tribunal, a insolvência foi precipitada pelo colapso das empresas que geria, como a Selectiva Moda e a No Less, deixando um rasto de dívidas que incluem mais de 600 mil euros assumidos em nome de terceiros.
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Estilo de Vida sob Suspeita: A investigação indica que parte dos fundos desviados foi utilizada para sustentar o luxuoso estilo de vida do empresário. Manuel Serrão viveu durante oito anos numa suite de um hotel de luxo no Porto, cujos custos terão sido imputados indevidamente às empresas que recebiam os subsídios.
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Histórico Político e Mediático: Conhecido do grande público pela sua participação no programa A Noite da Má Língua e pelas suas intervenções acaloradas em defesa do Norte e do FC Porto na CMTV, Serrão tem um passado marcado por polémicas. O processo recorda ainda a sua detenção em 1975 pelo COPCON, devido a alegadas ligações à rede bombista do MDLP.
Esta declaração de insolvência pessoal surge num momento crítico, uma vez que Manuel Serrão aguarda o desenrolar do processo-crime onde é arguido. Com as suas contas bancárias e bens sob escrutínio apertado, a decisão do tribunal retira-lhe qualquer margem de manobra financeira enquanto se prepara para responder em tribunal pelas acusações de liderança de uma associação criminosa dedicada à fraude.