Análise de Marco Pina: O Golo Anulado e o Protocolo do VAR
A polémica em torno do empate (2-2) entre o SC Braga e o Benfica continua a dominar a atualidade desportiva. O ponto de maior discórdia para o emblema da Luz foi a anulação do golo de Samuel Dahl, que daria a vitória às águias aos 74 minutos. O golo foi invalidado por João Gonçalves, que assinalou falta de Richard Ríos no início da jogada.
O Benfica manifestou a sua indignação, sublinhando o facto de o árbitro ter decidido no terreno sem que o VAR, Tiago Martins, o tivesse chamado ao monitor — uma interpretação que o clube considera errada perante a natureza do lance.
A Leitura de Marco Pina
O especialista em arbitragem Marco Pina analisou os lances e focou-se na mecânica da decisão e na atuação da equipa de arbitragem:
1. O Golo Anulado (Falta de Richard Ríos)
Sobre o lance mais contestado pelo Benfica, Marco Pina avaliou a decisão de João Gonçalves:
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Interpretação da Falta: Pina analisou se o contacto de Richard Ríos foi suficiente para derrubar o adversário ou se foi um “contacto de jogo”. A sua análise pesou o uso do braço e a carga do jogador encarnado.
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O Erro de Procedimento: Um dos pontos críticos destacados foi a comunicação entre o campo e a Cidade do Futebol. Se o árbitro assinalou a falta de imediato (ou após o golo com indicação do assistente), o VAR apenas confirma se houve um “erro claro e óbvio”. O Benfica contesta que, num lance tão subjetivo, a decisão tenha sido tomada sem o recurso às imagens no monitor de campo (OFR).
2. O Penálti Reclamado pelo Braga (7′)
Marco Pina também não ignorou a queixa dos minhotos sobre o lance de Leandro Barreiro e Pau Víctor:
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O Veredito: Para o especialista, este tipo de lances de “pisadela por trás” são tecnicamente puníveis com grande penalidade, corroborando a visão de que o Braga também tem razões de queixa por uma falha de julgamento no início da partida.
Resumo das Opiniões dos Especialistas
A análise de Marco Pina junta-se a um painel de opiniões muito dividido, o que prova a complexidade do critério utilizado em Braga:
| Especialista | Golo do Benfica (74′) | Penálti para o Braga (7′) |
| Marco Pina | Decisão Subjetiva (Critério de campo) | Penálti por assinalar |
| Jorge Coroado | Bem Anulado (Falta) | Penálti por assinalar |
| Pedro Henriques | Bem Anulado (Falta) | Penálti por assinalar |
| Iturralde González | Mal Anulado (Golo Limpo) | Sem Falta |
Conclusão: O “Fator VAR” em Xeque
A grande conclusão da análise de Marco Pina e dos seus pares é que o jogo na Pedreira foi marcado por uma crise de critério.
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Para o Benfica, a indignação reside na anulação de um golo decisivo por uma falta “ligeira” que não motivou revisão no monitor.
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Para o Braga, a revolta foca-se na impunidade de um penálti aos 7 minutos que poderia ter mudado o desenho tático do encontro.
Este clima de insatisfação mútua coloca uma pressão sem precedentes sobre o Conselho de Arbitragem, especialmente após o Benfica ter divulgado novos ângulos do lance de Richard Ríos nas redes sociais.