Bruno Lage em Paz com Mário Branco e “Não Ingénuo” Sobre Mourinho
Bruno Lage, ex-treinador do Benfica, voltou a abordar publicamente a sua passagem pelo clube e o atual momento turbulento vivido na Luz, durante uma apresentação na Faculdade de Motricidade Humana. Lage fez várias revelações sobre as suas relações internas e a perceção que tinha do seu próprio futuro no clube.
Paz com Mário Branco e Diferença de Opiniões
Um dos momentos mais mediáticos da sua saída foi o desentendimento com Mário Branco sobre a calendarização de um jogo. Lage garantiu que o assunto está resolvido, embora mantenha a sua posição original:
-
Relação com Branco: “Eu estou em paz com o Mário Branco. Como ele teve essa oportunidade de dizer publicamente, nós conversámos e eu estou em paz com ele.”
-
Discordância na Calendarização: O técnico reiterou que “não concordei” com a não alteração do jogo contra o Santa Clara, pois a equipa precisava de mais dias para recuperar.
Não Ingénuo Sobre a Saída e a Sombra de Mourinho
Lage afirmou que a vitória de Rui Costa nas eleições não foi uma surpresa e que nunca sentiu desconfiança do presidente. Contudo, reconheceu que a sua posição era vulnerável devido ao contexto político e à disponibilidade de treinadores de topo:
“Mas não sou ingénuo. Percebi claramente que, eventualmente, num ou outro momento menos positivo, ou no momento em que há um treinador com enorme prestígio, como o míster José Mourinho, estivesse no mercado, que as coisas podiam acontecer.”
“Costas Largas” Sobre Críticas
Sobre a frase de José Mourinho, que afirmou que a equipa do Benfica de Lage “mordia pouco”, o ex-treinador mostrou serenidade e maturidade:
-
Reação: “Não é encarar isso como um reparo. À medida que vamos tendo experiência, as nossas costas vão ficando cada vez mais largas. Neste momento, é isso que sinto. Tenho as costas largas, mas não senti isso como uma crítica.”
-
Diferença de Ideias: Explicou que as diferenças entre técnicos (incluindo Roger Schmidt e Mourinho) são naturais e que cada um adapta a equipa à sua ideia de jogo, dando o exemplo de jogadores como Álvaro Carreras, Kokçu e Aursnes, cujas posições e utilização mudaram.
Apelo ao “Inferno da Luz”
Lage abordou o ambiente no Estádio da Luz, considerando que o clima pré-eleitoral, com as seis candidaturas e opiniões diferentes, afetou a equipa.
-
Pedido: Apelou aos adeptos para que o “Inferno da Luz volte a ser o Inferno da Luz para os nossos adversários”.
-
Crítica à Pressão: Recordou um episódio em que a equipa foi assobiada aos 25 minutos do jogo com o Qarabag, pedindo que, durante os 90 minutos, a equipa “tem de sentir a proteção e o apoio deles. A crítica vem a seguir ao jogo.”
Lage garante que, apesar de estar fora do banco, continua a trabalhar na sua equipa técnica e prometeu novidades em conteúdos audiovisuais.