Quarta-feira, Março 4, 2026
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Portugal quebra o silencio e pede a Israel que se abstenha de “violência” contra flotilha

Portugal Apela a Israel Para Evitar Violência Após Detenção de Flotilha

O Governo português reagiu à interceção da Flotilha Global Sumud – que transporta ajuda humanitária para Gaza e onde seguem a líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte – dirigindo uma mensagem formal a Israel e alertando os tripulantes portugueses.

Apelo a Israel e Mensagem Consular

A diplomacia portuguesa confirmou ter contactado o Governo de Israel, através dos canais diplomáticos, para garantir a segurança dos ativistas.

“Portugal dirigiu uma mensagem ao Governo de Israel, pelos canais diplomáticos próprios, para que não se use violência e se respeitem todos os direitos daqueles que vão na flotilha,” afirmou uma fonte oficial à Lusa.

Este pedido foi formalmente reiterado na noite de terça-feira através de uma mensagem consular dirigida às autoridades israelitas.

Alerta e Apelo de Paulo Rangel aos Ativistas

Ao mesmo tempo que contactava Israel, o Governo português dirigiu um apelo direto aos tripulantes portugueses para que não saíssem das águas internacionais, devido aos “riscos muito sérios” envolvidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, escreveu na terça-feira aos ativistas, alertando: “Fazemos um novo apelo para que não deixem as águas internacionais; sair desse espaço comporta riscos muito sérios de que estarão decerto cientes.”

O chefe da diplomacia lembrou que as fragatas italianas disponíveis para prestar apoio consular e humanitário não sairão desse perímetro. O Governo reforçou que há uma alternativa para a entrega da ajuda humanitária transportada: o encaminhamento para Gaza através do Chipre. No entanto, os ativistas da flotilha já rejeitaram esta proposta, afirmando que o seu objetivo é romper o bloqueio israelita.

Reação de Luís Montenegro e Risco Iminente

O primeiro-ministro Luís Montenegro confirmou que o Governo está em contacto com a Itália e a Espanha, reconhecendo um “registo de perigosidade” na situação. O primeiro-ministro defendeu que o executivo fez “aquilo que era adequado”, nomeadamente o apelo para que “não se corram riscos desnecessários”.

A Marinha israelita indicou que estava pronta para intercetar a Flotilha Global Sumud – considerada a maior flotilha humanitária organizada até ao momento – que já tinha entrado na zona de risco. Fontes militares indicaram à estação pública israelita Kan que o plano é transferir os ativistas para um grande navio militar e rebocar as embarcações para o porto de Ashdod, com a possibilidade de algumas serem afundadas no mar.

Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza, onde a guerra desencadeada em outubro de 2023 já causou uma grave crise humanitária e registos de mortes por desnutrição.

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